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Jun 13

TRATADO DE ALCANIZES/CES

Foi no tempo de D. Dinis

Antecedentes

De acordo com os testemunhos arqueológicos, a primitiva ocupação humana de seu sítio remonta a um castropré-histórico, da Idade do Bronze. Acredita-se que por sua posição estratégica sobre o rio, tenha sido ocupado continuamente desde então.

O castelo medieval

À época da Reconquistacristã da península Ibérica, a região foi inicialmente conquistada por forças do reino de Leão.

Os domínios de Castelo Bom e seu castelo passaram para a Coroa portuguesa como dote da Rainha Santa quando de seu casamento com D. Dinis, em 1282, tendo o soberano lhe outorgado foral em 1296. Integrante do território de Ribacôa, disputado a Leão por D. Dinis (1279-1325), a sua posse definitiva para Portugal foi assegurada pelo Tratado de Alcanices (1297). O soberano, a partir de então, procurou consolidar-lhe as fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior. Nesse contexto foram iniciados os trabalhos de reedificação do castelo e da cerca da vila de Castelo Bom, que se estenderam pelo início do século XIV.

De acordo com iconografia de Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas (c. 1509), sob o reinado de D. Manuel (1495-1521), os muros do castelo apresentavam duas torres de planta quadrangular, dominados pela Torre de Menagem, com uma barbacã, também com duas torres, a sul, a norte. O muro da vila era duplo, com uma torre a noroeste. O soberano renovou o foral da vila (Foral Novo) em 1510, determinando a reparação do castelo e da cerca da vila, trabalhos iniciados a partir de 1512, a cargo do mestre de obras João Ortega e do pedreiro Pero Fernandes.

No contexto da Guerra da Restauração, era alcaide-mor da vila o Visconde de Vila Nova de Cerveira e Marquês de Ponte de Lima. O castelo contava com uma torre abaluartada (onde se situava a cadeia) e era defendido por duas peças de artilharia, constituindo importante posto de defesa da fronteira, tendo sido utilizado como refúgio pelos governadores da Beira. Acredita-se que datam deste período o Poço d’El Rei e o Poço da Escada.

Da Guerra dos Sete Anos aos nossos dias

Referenciado nas Memórias Paroquiais (1758), no contexto da Guerra dos Sete Anos, quando da invasão de Portugal em 1762, foi cercada e conquistada. Posteriormente, à época da Guerra Peninsular, invadido pelas tropas napoleônicas, o castelo foi destruído.

No século XIX, diante da extinção do Concelho de Castelo Bom (1834), inicou-se um período de decadência, que culminou com a degradação das defesas remanescentes da vila.

Em meados do século XX, o castelo foi classificado como Monumento Nacional, por Decreto publicado em 2 de Janeiro de 1946. Por esta época, a torre de menagem ainda se encontrava de pé, quando foi demolida por um particular que ali pretendia construir um abrigo para o seu burro. Entre 1987 e 1988, com os remanescentes do castelo parcialmente soterrados, foi elaborado um estudo para a recuperação do castelo por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

Atualmente podem ser vistos entre os remanescentes os panos da muralha, a Porta da Vila, uma torre em ruínas, a pedra de armas com o antigo brasão da vila, a cisterna (Poço do Rei), um paiol, uma guarita e dois poços.

Características

Na cota de 725 metros acima do nível do mar, o castelo, em alvenaria de granito, apresenta planta no formato retangular irregular orgânico, envolvido externamente por uma barbacã também de planta irregular na qual se rasga a Porta da Vila, a leste. Esta porta, com pavimento desnivelado, apresenta-se em arco quebrado pelo exterior e em arco pleno pelo interior, com cobertura em abóbada de berço e gonzos de cantaria. Pela face interna dos muros, uma escada de pedra acedia ao adarve e à torre de menagem, de planta quadrada, hoje em ruínas. Ainda num pano dos muros, a sul, destaca-se a pedra de armas com o brasão da antiga vila.

No setor sul, localiza-se a cisterna, denominada localmente como Poço do Rei, com planta retangular; a sul, o paiol, de planta circular, também conhecido como Rebolim ou Polvorim; dois poços serviam os defensores: o Poço da Escada, de planta quadrangular, e o Poço d’El Rei, de planta retangular.

 

 

 

 

 

O que é o Tratado de Alcanizes/Alcanices?

Vou tentar responder com ajuda da História...

 

 

 

O tratado de Alcanizes ou Alcañices foi assinado entre os soberanos de Leão e Castela, Fernando IV(1295-1312), e de Portugal, D. Dinis (1279-1325), a 12 de Setembro de 1297, na povoaçãoespanholade Alcañices.

Por ele, se restabelecia a paz fixando-se os limites fronteiriços entre os dois reinos, em fins do século XIII. Em troca dos domínios de Arouche e de Aracena, passavam para a posse definitiva de D. Dinis de Portugal as chamadas terras de Riba-Côa, que compreendiam as seguintes povoações e respectivos castelos:

Adicionalmente, em troca de direitos portugueses nos domínios de Ayamonte, Esparregal, Ferreira e Valença, D. Dinis recebia:

O texto do tratado encontra-se transcrito na Crónica de El-Rei D. Dinis, do cronista Rui de Pina

 

 

...+ HISTÓRIA 

Não consigo mencionar todas as referências com o qual me apoiei para o plasmar da história, isto é, são imensas e diversas referências em diferentes locais(publicações de História de Portugal, Internet, revistas, jornais,etc,....)

CASTELO BOM encontra-se sobranceiro ao rio Côa, num cabeço a 725 m de altitude e cuja muralha envolve a povoação. Oriundo de um antigo castro ocupado desde a Idade do Bronze, Castelo Bom vê-se incorporado no reino de Portugal, em 1297, como consequência do Tratado de Alcañices. Nos sécs. XIII e XIV acontece a reedificação do castelo e cintura amuralhada (D. Dinis).

D. Dinis (1279-1325)

No séc. XVI, possuía dupla cintura de muralhas, Cidadela com Torre de Menagem e duas Torres de planta quadrada. Durante as Guerras da Restauração serviu de abrigo aos Governantes da Beira. Em 1762, a Vila foi cercada e derrotada. Em 1834, foi extinto o concelho de Castelo Bom, iniciando-se então a degradação das estruturas. Em meados do século XX ainda existia a Torre de Menagem.

Existem hoje os panos da muralha; a Porta da Vila, em arco quebrado no exterior e arco pleno no interior; o brasão da antiga vila (escudo nacional coroado) num muro e a Cisterna, a Sul; o Paiol, a Oeste; o Poço de Escada, de planta quadrangular e o Poço d' El-Rei, de planta rectangular. Aldeia amuralhada que conserva claros vestígios da sua arquitectura medieval. Regista-se ainda a presença de elementos decorativos do barroco das fachadas de alguns edifícios. Locais de Interesse: Restos da muralha e torre do antigo castelo; igreja do século XVIII; solares do séc. XVI.

 

Viajando pela Beira poderá encontrar o seguinte: Começando de Norte para Sul, a primeira aldeia que encontras é Castelo Melhor, a poucos quilómetros de Foz Côa pela N 222. No cimo do monte está o castelo de muralha circular, um pouco desgastado pela erosão dos séculos. Lá dentro para além da velha cisterna, pouco sobrou. Em dias de céu limpo tem uma vista de 360º que é de apreciar. A aldeia, constituída por duas ruas principais, há muito que cresceu para fora dos muros. Na pequena praça central, reparas na igreja e continuas viagem. Ainda há muito para ver. É a viagem em automóvel coisa fugaz, repentina, que resulta quase sempre no efémero, porque de tudo o que se observa resta apenas uma visão genérica. Conduzir a viatura a baixa velocidade, para algo apreender, constitui, nas nossas estradas, exercício de perigosidade, pelo estorvo causado aos restantes chauffeures que não toleram «empatas». Por isso se insiste nestas crónicas na conveniência de se andar a pé, em bicicleta ou até à cavaleira num burranco. Aqui sim, nos sobeja tempo para examinar os lugares e atender a especiais pormenores que a poucos é dado ver. Largue pois a comodidade do carro ligeiro e escolha modo de locomoção mais vagaroso. Desça as arribas da margem esquerda da Côa pela Estrada Nacional 16, via agora calma, porque livre do forte movimento de outros tempos. Seguindo em direcção a Espanha deparar-se-á com o severo e rude vale, ali em forma de profundas escarpas.

 

A serpentina de alcatrão arremete pela vertente, contornando as reentrâncias da encosta e evitando os colossos de granito que lhe tentam barrar o passo. Não longe do fundo do vale meta freio à caminhada e torne à canha por caminho arenoso que a pique escala um ressalto da encosta, em cujo topo se apresenta a vistosa capela de São Roque. Dali se impõe o belo templo a todo o espectáculo natural que o vale oferece. A ribeira segue sua derrota por entre fragas, ali refreada em pequeno açude que é muito procurado no tempo estival. Veja como do imenso barrocal da outra margem, sobre a mão esquerda, assoma um pequeno povoado cujos telhados rubros se contrapõem ao enegrecido granito das escarpas em que assenta, conferindo-lhe uma especial galantaria. Depois de atravessar a ponte que une as margens, trepe a outra encosta e, ainda antes do topo, entre em Castelo Bom, que não é mais que a locanda já lobrigada do alto de São Roque. Trata-se de burgo antigo, noutro tempo fortificado, que foi importante baluarte defensivo, dali se opondo a quem tentasse transpor a Côa. Mas feito território luso por direito de conquista dionisina e depois firmado no Tratado de Alcanizes, em 1297, a sua posição estratégica perdeu significado, pois a primeira linha de defesa ficou em Almeida e as agudas ribanceiras não proporcionavam condições de retirada. Assim foi fenecendo Castelo Bom, cujo esplendor de todo se diluiu, sendo agora um simples povoado da raia, sofrendo os males e as carência comuns à generalidade dos lugares da região: a população é escassa e envelhecida e a actividade económica muito ténue. O seu tesouro de hoje são os vestígios da época heróica, que o caminheiro pode contemplar correndo o emaranhado de curtas e apertadas vielas. Vá de roda fitando e examinando os panos de muralha, a porta gótica do desaparecido castelo, a cisterna, o paiol, os antigos paços do concelho, as típicas casas alpendradas e os nobres solares. Dialogue com a população que ainda povoa a parte velha e atente no modo de falar, nas lendas e na beleza de bordados e rendas elaborados junto à ombreira das portas. Entre na imponente Igreja Matriz, dedicada à Senhora da Assunção, e atente nas relíquias do seu interior: o sóbrio lajedo de granito, o púlpito policromado, os belos painéis da capela-mor, a variedade de imagens dos santos ali venerados. Pergunte-se, como nós, das razões porque esta terra não foi classificada como aldeia histórica e não beneficiou dos avultados apoios para a sua recuperação. A outros lugares bem menos autênticos e em péssima preservação, foram dados louros e meios de afirmação que Castelo Bom mais mereceria e melhor aproveitaria. Acabe o andarilho sentado a uma mesa da tasca da Lurdinhas, degustando os saborosos petiscos que a toda a hora dispõe. De entre eles aconselhamos os suculentos peixinhos da ribeira regados com tinto de Pinhel. Castelo Bom e Parque de Campismo de Riba Côa - Duas opções De volta à estrada é agora tempo de visitar a Aldeia Histórica de Castelo Bom, que não está integrada no Programa de Recuperação das Aldeias Históricas, mas é detentora de um vasto património histórico. Rica pelo seu valor histórico, Castelo Bom possui uma igreja paroquial, dos séculos XIII-XIV, que foi erguida pelos Templários, que igualmente construíram a Capela de Nossa Senhora da Paz, coeva da igreja matriz, e que terá pertencido a um mosteiro de que não restam vestígios. Em Castelo Bom pode ver os restos de muralhas e da torre do antigo castelo bem como solares do século XVI. Para além da história, esta aldeia está hoje em festa. Se gosta de um pé de dança, então desloque-se até Castelo Bom e divirta-se na Festa da Srª. dos Remédios.

 

 Mas se entretanto, preferir relaxar e refrescar-se nas águas do Rio Côa, então o NG aconselha o Parque de Campismo e a Praia Fluvial junto à ponte velha, antes das Aldeias Histórias. O Rio Côa marca e define um modo de viver, que caracterizou na história o espaço geográfico, confinado à ideologia cultural conhecida por Riba Côa. Este Parque de Campismo dispõe de Praia Fluvial, de um café, um parque infantil, apetrechado de alguns baloiços que de certo são do agrado dos mais pequenitos. Para quem aprecia o desporto, o Parque de Campismo tem um pequeno espaço reservado às actividades desportivas. A salientar ainda que este espaço está aberto ao público durante todo o ano. Castelo de Castelo Bom – Castelo Bom/Almeida Oriundo de um antigo Castro ocupado desde a Idade do Bronze, Castelo Bom vê-se incorporado no Território nacional como consequência do Tratado de Alcanizes. Serviu como abrigo aos governantes da Beira durante as Guerras da Restauração. A degradação do Castelo deve-se à extinção em 1834 do Concelho de Castelo bom. Ainda se podem ver actualmente os Panos da muralha, a Porta da Vila, o Brasão da Vila, e a Cisterna Com a inclusão do território de Riba - Côa na Nação Portuguesa pelo Tratado de Alcanizes, de 12 de Setembro de 1297, cabe a D. Dinis a vez de proceder à restauração dos castelos da região. Efectivamente, não tendo D. Dinis que recear ataques muçulmanos, procurou consolidar as fronteiras do seu reino, para prevenir qualquer invasão de Leão e Castela e, por isso, nas terras de Riba-Côa, reedifica os Castelos de Alfaiates, Almeida, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Pinhel, Sabugal e Vilar Maior. Destacam-se ainda os povoados medievais de Castelo Mendo e Castelo Bom, que conservam uma grande parte das características ancestrais de burgos fortificados, recheados de um casario alvenitente com um carácter profundamente português e beirão. São possuidoras de um singular conjunto arquitectónico, civil, religioso e militar, onde se misturam obras de estilos tão variados como o Românico, o Gótico, o Manuelino, o Filipino, o Maneirismo e o Barroco. HISTÓRIA José Viale Moutinho: Los moros son felices Nos finais da década de 80 do séc. XX, o comandante Baltazar Negrões, homem de convicções monárquicas, nostálgico de Paiva Couceiro e de D. Sebastião, Mestre em História Medieval e Assistente na Faculdade de Letras do Porto — portanto meu distinto colega, que nunca encontrei, com esse nome, nos corredores ou nas salas do nosso local de trabalho —, partiu da cidade donde houve nome Portugal, à frente de um bando de 23 milicianos de vária condição e estirpe, com a missão gloriosa de reconquistar a aldeia de San Felices de los Moros, situada na margem do Rio Águeda, a breve distância de Castelo Rodrigo, do outro lado da fronteira, que por direito pertencia à coroa portuguesa: «E agora ali estavam eles — conta um dos narradores — para recuperar uma povoação desde os tempos do senhor D. Dinis que, apesar de consignada portuguesa em documento oficial, o Tratado de Alcanizes, fora subtilmente subraída ao território nacional» (p. 90). Este «retábulo para uma novela», Los Moros, de José Viale Moutinho (Porto, Campo das Letras, 2000), levanta desde logo o problema da veridicção narrativa, porquanto vai fornecendo elementos de informação historiográfica perfeitamente reconhecíveis. É verdade que existiu o Tratado de Alcanizes, e ainda hoje podemos visitar as povoações referenciadas na novela, de Castelo Rodrigo a Olivença. Mas não é verdade que o Tratado subscrito por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela, e D. Dinis, rei de Portugal e dos Algarves, no dia 12 de Setembro de 1297, por conseguinte há sete séculos, mencione o povoado de San Felices de los Moros.

O Dr. Baltazar Negrões, recorde-se, era Mestre em História Medieval, e fora autor de uma tese de licenciatura «sobre a incursão de Eustáquio de Sessé a San Felices de los Moros» (p. 112). Logo, a sua idoneidade científica está acima de qualquer suspeita. Eu não sou historiador, pois a historiografia que produzo refere-se a esse mundo que Aristóteles situava na ordem do verosímil, e não do verdadeiro, e que grandes criadores associaram ao fingimento, ou à ficção, ou simplesmente à criação, mas não escondo a pretensão de contestar a suposta verdade do meu colega Dr. Baltazar Negrões, pela mão hábil do jornalista e escritor José Viale Moutinho. O Tratado de Alcanizes estabeleceu a paz entre os reinos de Portugal e de Castela nos fins do séc. XIII. Com ele e através dele, D. Dinis fixou em definitivo os limites do território nacional, alargando-os às terras de Riba-Côa que hoje reconhecemos no mapa português (Castelo Melhor, Castelo Rodrigo, Castelo Bom, Almeida, Alfaiates, Sabugal, Monforte e Vilar Maior), e ainda a San Felices de los Gallegos e Olivença, que se localizam do outro lado da fronteira actual. Todos sabemos da história falhada de Olivença, mas intriga-nos a história de San Felices de los Gallegos. Eis o texto do tratado, segundo a Crónica de El-Rei D. Dinis, de Rui de Pina, com a declaração oficial e solene do Rei D. Fernando de Leão e Castela, mediante o qual ficamos em condições de demonstrar o equívoco do Dr. Baltazar Negrões: [... ] dou-vos por essas vilas e Castelos, e pelos seus termos, Olivença, e Campo Maior, que são a paz de Badajoz, e São Felizes dos Galegos, com todos os seus termos e direitos, e pertenças e com todo o Senhorio e jurisdição Real, que ajades vós, e vossos sucessores por herdamento para sempre [...] Outrossim eu El-Rei D. Fernando entendendo, e reconhecendo que vós tendes direito em lugares e castelos das Vilas de Sabugal, Castelo Rodrigo, Vilar Maior, Castel Bom e Dalmeida, Castel Melhor e Monforte, e doutros lugares de Riba-Coa. Estes dois documentos, em português e castelhano, serão guardados para se cumprirem pera sempre, e nunca vir contra eles por mim, nem por outrem, nem direito, nem concelho, e se assim se fizer que fique por perjúrio e traidor, como quem mata Senhor, ou trai Castela. Apesar de mergulhado na sua ficção toponímica, pois a história e a geografia só confirmam a existência de San Felices de los Gallegos, o Dr. Baltazar Negrões levava consigo uma revolta nacional que poucos portugueses souberam exprimir ao longo dos séculos. Hoje dispomos de formas organizadas para a defesa e restauração de Olivença, mas são raros aqueles que têm memória, ou sequer consciência, da Olivença do Norte que é São Felizes dos Galegos, entregue «para sempre» ao reino de Portugal pelo monarca de Leão e Castela, em negócio de Estado que lhe garantiu a posse de «os Castelos, e Vilas da Terra Darronches, e Daracena». José Viale Moutinho, com esta ficção repassada da mais fina ironia, como é seu timbre, quer na narrativa, quer na lírica, vem denunciar não só o perjúrio e a traição dos sucessores de D. Fernando, mas sobretudo a cobardia histórica dos descendentes de D. Dinis, porque a ficcional San Felices de los Moros, figurada diacronicamente em vários episódios da sua história trágica, da Idade Média aos nossos dias, por vezes verdadeiros, outras vezes tão-só verosímeis, dentro de um inverosímil donde irradia o grotesco das situações paródicas, corresponde de facto a San Felices de los Gallegos. Temos, portanto, dois nomes, que aparentemente rasuram uma identidade fixa, mas que no fim de contas intensificam, numa espécie de estereografia descritiva, uma verdade dissimulada pela história, que só a ficção pode revelar em toda a sua dimensão ética. Viale Moutinho dissemina pelo texto abundantes elementos factuais sobre a tragédia de San Felices, por meio dos mais variados dispositivos, como a multiplicação dos narradores e das focalizações, os diálogos das personagens, as confissões da freira do Mosteiro do Bom Jesus, a leitura de documentos antigos por D. Toríbio de Roncesvales, cronista vitalício de Los Moros, ou uma carta do intruso José ao seu amigo Andrés, entremeada na narrativa de uma forma no mínimo surpreendente, já que precipita um efeito de catástrofe textual prefigurado desde as primeiras páginas na polifonia discursiva que estrutura a novela, abrindo uma crise referencial que sujeita a verdade histórica à mais pura indeterminação lógica. A verdade é que a comutação Los Gallegos / Los Moros encerra um aspecto ficcional, que desfoca a referência concreta, mas também introduz um sentido originário que nos remete para o princípio das coisas. A vila de San Felices de los Gallegos, hoje com pouco mais de 600 habitantes, situa-se a uma distância de 90 km a oeste de Salamanca, a um pé da fronteira portuguesa.

 

De acordo com alguns historiadores espanhóis, foi fundada no ano de 690 pelos lusitanos, e particularmente pelo Bispo do Porto, D. Félix, de cujo nome terá derivado o topónimo. Os seus povoadores, los gallegos, oriundos do norte do Douro, e não da actual Galiza, lutaram contra os romanos ao lado de Viriato. Aquando da invasão da Península pelos árabes, em 711, as actuais cidades de Salamanca e Ciudad Rodrigo foram completamente arrasadas, e os mouros, los moros, passaram por San Felices de los Gallegos, onde deixaram as suas marcas. Após a retirada árabe, o povoado permaneceu sob o domínio de Castela e Leão, até finais do séc. XIII, altura em que o reino de Portugal empreendeu a sua reconquista. A construção do Castelo, obra de D. Dinis, data de 1296, um ano antes da assinatura do Tratado de Alcanizes. Outorgada a Castela como dote de casamento da filha de D. Dinis com D. Fernando IV, a vila atravessou sucessivas mudanças de soberania, até que, em 1476, os seus habitantes se amotinaram contra a autoridade portuguesa de Gracián de Sessé, homónimo de uma personagem de Los Moros, Eustáquio de Sessé, cuja cruzada de reconquista sanguinária serviu de modelo à epopeia delirante de Baltazar Negrões. Com Sessé terminou de facto a soberania portuguesa sobre São Felizes dos Galegos, que ficaria nas mãos dos duques de Alba até meados do séc. XIX. A ficção toponímica de Viale Moutinho, San Felices de los Moros, não visa apenas uma desreferencialização e um reinvestimento na história mourisca do povoado. A narrativa constrói-se sobre planos diegéticos paralelos, progredindo em sentido convergente, numa verdadeira viagem pelo tempo que abre túneis de comunicação entre vários momentos da história e da ficção de San Felices, representando, com engenho e mestria, a tragédia de um lugar sucessivamente esvaziado de humanidade: as alusões à integração nacional do povoado; a reconquista falhada de Eustáquio Sessé; a história sem rosto da abadessa do Mosteiro, nos finais do séc. XVIII; o genocídio praticado pelos mouros às ordens da Guarda Civil de Franco, em Setembro de 1936; o refúgio das freiras no subterrâneo do Mosteiro, onde a presença de um mouro acompanha a sua lenta mumificação através dos anos; as peripécias de Miguel, único sobrevivente do genocídio de 1936, acolhido no mesmo subterrâneo, mas ligado ao mundo pela rádio e pelo túnel que conduz ao exterior, onde se desloca para assassinar os povoadores andaluzes da aldeia que habitam a sua casa; a invasão falhada da Coluna Negrões; ou a descoberta, em 1993, por arqueólogos de Salamanca, de uma carta da freira que conhecemos como narradora homodiegética, em 1936, explicando ao Prof. Luís Soto Miguez, e finalmente ao leitor, as razões misteriosas da sua descida ao inferno que se escondia debaixo do Mosteiro do Bom Jesus. A categoria do tempo aparece distorcida pelos túneis de comunicação que ligam entre si os planos narrativos, numa espécie de pancronia panóptica que nos permite observar simultaneamente vários segmentos temporais no vazio do mesmo espaço, San Felices de los Moros, tal como D. Toríbio de Roncesvales «andava pelos séculos» (p. 71) para contar o passado e o futuro da aldeia. A novela, enquadrada por um retábulo que promete o que temos perante nós à espera de um simples abrir de olhos, assume deste modo alguns aspectos cinematográficos, que a escrita incisiva e admiravelmente orgânica de Viale Moutinho potencia no mais alto grau, o que está bem patente na fala do velho padre visionário que devora livros como quem devora o passado e o futuro: «Mil anos, dez pelo menos, estive no meu posto, com os cotovelos fincados na pedra da mesa, olhos postos na paisagem. Vi passar figuras humanas, animais, mercadorias, grandes galeras, como construíam o caminho-de-ferro [...]. Dez anos pelo menos, mil anos, valeria a pena reconstruí-los, repassar o filme de quanto irá acontecer?» (p. 54). O meu colega Dr. Baltazar Negrões tinha afinal inteira razão, na sua profunda ciência, que lhe permitia saltar os séculos para reparar os desmandos do tempo. Devemos conceder que San Felices de los Moros constitui o melhor topónimo para designar uma realidade que a história tornou equívoca, a começar pelo nome que consta do texto do Tratado de Alcanizes. Quando a sua coluna alcançou o objectivo, San Felices era um lugar habitado por sangue mourisco, depois do repovoamento andaluz promovido por Franco em 1936, mas realmente inventado por Viale Moutinho, para quem a ficção não é menos verdadeira do que a grande mentira real de Alcanizes. Baltazar Negrões, comandante de uma coluna anacrónica, mal armada e esfomeada, pícara e quixotesca, é um símbolo da inépcia e da paranóia que rodearam as tentativas de reconquista de um lugar perdido nessa memória que lembra Olivença mas recalca São Felizes dos Galegos. O seu triste fim, na terra com que sebasticamente sonhou, é narrado com uma impiedade realista notável, de traço firme como balas, que sublinha o carácter suicida de que nos falou Unamuno: «Na escalada à torre, Baltazar perdera a espada e apenas tinha duas balas no revólver de cano comprido. Deveria tentar matar algum dos que o acossavam e reservar a derradeira bala para si próprio? [...] Apontou cuidadosamente, mas o cão do revólver bateu num cartucho apodrecido. [...] Puxou o gatilho com força e ouviu um disparo descomunal, como se a cabeça lhe tivesse voado. [...] e foi cair ao pé de uma gente armada de paus e forquilhas, que desabou sobre ele numa fúria desmedida. E havia muito que Baltazar Negrões tinha morrido e eles continuavam a bater-lhe» (pp. 133-134). Alguns críticos que terão lido Aristóteles, mas que não interiorizaram a diferença entre a história e a poesia, a verdade e a verosimilhança, o facto e a ficção, designariam esta obra como «novela histórica», segundo o modelo elástico, hoje tão em voga, do «romance histórico», que tem servido para classificar tanto os textos que tematizam a ficção historiográfica — e não a realidade histórica, coisa bem distinta — como aquelas narrativas que olham de frente esse mesmo tema para fazer sobressair a invenção criadora e anti-histórica de toda a obra literária que se preze. Los Moros não é uma narrativa «histórica», senão na medida em que, ao ter surgido no ano 2000, se adiciona ao curso da história e assim enriquece o monumento literário. A constelação das suas referências procede de uma ordem textual muito diversificada, literária, historiográfica e cultural, de Lazarillo de Tormes à poesia de Frei Luis de Léon, de Unamuno a Kafka, de estudos e documentos sobre San Felices de los Gallegos ao rigoroso conhecimento da realidade hispânica através dos séculos. Mas estes materiais são submetidos a um trabalho criador que os transfigura irreversivelmente, numa ficção onde é difícil distinguir o que provém da história e o que se acrescenta à história, onde a paródia polifónica torna possível o que o tempo linear não permite. Por isso, sejamos modestos, e fiquemo-nos pela ficção, o único modo de a história conhecer um pouco de eternidade, essa pequena falha que a faz correr, e que Viale Moutinho nos oferece, na sua escrita desenvolta, como iguaria rara só aos deuses concedida.


07
Jun 07

En o Nome de Deos, Amen.

Sabham quanto esta Carta virem, e leer ouvirem, que como fosse contenda sobre Vilhas, Castelos, e Termos e partimentos, e posturas, e preitos antre nós Dom Fernando pela graça de Deos Rey de Castella, de Leon, de Toledo, de Galiza, de Sevilha, de Cordova, de Murça, de Jaen, do Algarve, e Senhor de Molina de hua parte, e Dom Diniz pela graça de Deos Rey de Portugal, do Algarve da outra, e por razon destas contendas de suso ditas nacessem antre nós muitas guerras, e omizios e eixessos en tal maneira, que nas terras dambos foron, muitas roubadas, e quiemadas, e astragadas, en que se fez hi muito pezar a Deos por morte de muitos homeez; veendo, e guardando,que se adiante fossem estas guerras, e estas discordias, que estava a nossa terra dambos en ponto de se perder pelos nossos pecados, e de vir a maãos dos inimigos da nossa fé, A acyma por partir tão grão deservisso de Deos, e da Santa Heygreja de Roma nossa Madre, e Tão grandes danos, e perdas nossas, e da Christandade por ajuntar paz, e amor, e grão serviço de Deos, e da Heygreja de Roma,

eu Rey Dom Fernando sobredito con consolo, e com outurgamento, e per outuridade da Rainha Dona Maria Minha Madre e do Infante Dom Anrique meu Tio, e meu Tutor, e Guarda de meus reinos, e de Dom Diego de Haro Senhor de Biscaia, e de Dom Joham Fernandes Adeantado aior de Galiza, e Dom Fernão Fernandez de Limha, e de Dom Pedro Ponço, e de Dom Garcia Fernandes de Villa Mayor, e de Dom Affonso Pires de Gosmão. e de Dom Fernão Pires Maestro de Alcantara, e de Dom Stevão Pires, e de Dom Telo Justiça Mayor de minha Caza, e de outors Ricos Homees, e Homees boos de meus reinos, e da germaydade de Castella, e de Leon, e dos concelhos desses reinos, e de minha Corte

e eu Rey Dom Diniz de susso dito com conselho, e com outorgamente da Rainha dona Izabel minha Molher, e do Infante Dom Affonso mei Irmão e de Dõ Martyinho Arcebispo de Bragaa, e de Dom Joham o bispo de Lisboa, e de Dom Sancho o Bispo do Porto, e de Dom Vaasco o bispo de Lamego, e dos Mestres do Templi, e de Aviz, e de Dom Johão Affonso, meu Moordomo Mayor Senhor de Alboquerque, de Dõ Martim Gil meu Alferez, e de Dom Joham Rodriguees de Briteiros, e de Dom Pedro Eanes Portel, e de Lourenço Soares de Valladares. e de Martim Affonso, e de João fernandes de Lima, e de Johane Meendes, e de Fernão Pires de Barbosa meus Ricos Homees, e de Johão Simhom Meirinho Mayor de minha aza, e dos Concelhos de meus Reinos, e de minha Corte, ouvemos acordo de nos aviarmos, e fazemos aveença antre nós e esta maneira que se segue, convém a saber; que eu Rey Dom Fernando sobredito entendendo, e conocendo, que os Castellos, e as Villas de Terra Arouche, e de Aracena, com todos seus Termos, e com todos seus direitos com todas sas pertenças, que erão de direito de Portugal, e seu Senhorio, e que os ouve El Rey Dom Affonso meu Avoo de El Rey Dom Affonso nosso Padre contra sá voontade, sendo estes Lugares de direito de El Rey Dom Sancho meu Padre, e eu,

e por esso pusi com vosco em Cidade, que vos desse, e vos entregasse essas Villas, e esses Castellos, ou cambho por elles a par dos nossos Reinos, de que vós vos pagassedes des dia de Sam Miguel, que passou da Era de Mil, e trezentos, e trinta, e quatro annos atáa sex mezes; e por que volo assi nom compri, dou vos por essas Villas, e por esses Castellos, e polos seus Termos, e polos fruitos, delles, que onde ouvemos meu Avoo El Rey Dom Affonso, e meu Padre El Rey Dom Sancho, e eu outro si atáa o dia de oje, convem a saber, Olivença, e Campo Mayor, que som apar de Badalouci e Sans Fins dos Galegos com todos seus Termos, e com todos swus directos, e com todas sas pertenças, e com todo Senorio, e jurisdiçom Real, que ajades vós, e vossos successores por herdamento pera sempre tambem a possissom, come a propriedade, e tolho de mim, e do Senorio dos Reinos de Castella, e de Leon os ditos lugares, e todo direito que eu hi hey, e devia aaver, o douvolo, e ponhoo em vós, e em vossos sucessores, e em no Senorio do Reino de Portugal para sempre,

e outro si meto em vosso Senorio, e de todolos vossos successores, e do Reino de portugal para sempree o lugar, que dizem Ougella, que he cabo Campo Mayor de suso dito com todos seus Termos, e com todos seus Direitos, e com todas sás perteenças, e dou a vóz e a todos vossos successores, e ao Senorio de Portugal toda a jurisdiçom, e o direito, e o Senorio Real, que hi eu hey, e devo aaver de direito de Castella. e de Leom, e ponhoo en vós, e en todos vossos successores, e en no Senorio de Reino de Portugal para sempre, salvo o Senorio, e os Direitos, e as Herdades, e as Heyugrejas deste Lugar d'Ougella, que as aja o Bispo, e a Heygreja de Badalouci, e todalas outras couzas, que em en este Lugar, segundo, como s ouveron atá aqui,

e todas estas couzas de suso ditas vos faço, por que vos quitades vós dos ditos Castellos, e Villas de Arouche, e de Aracena, e de seus Termos, e dos fruitos, que ende ouvemos El rey Dom Affonso meu Avoo, e El Rey Dom sancho meu padre, e eu. E outro si eu El Rey Dom Fernando, entendendo, e conocendo, que vós aviades direito en aluns Lugares dos Castellos, e Villas de Sabugal, e de Alfayates, e de Castel Rodrigo, e de Villa Mayor, e de Castel Boom, e de Almeida, e de Castel Melhor. e de Monforte, e dos outros Lugares de Riba Coa, que vós Rey Dom Diniz teendes agora en vossa mão, e por que me vós partades do direito, que aviedes en Vallença, e em Ferreira, e en no Sparagal, que agora tem a Ordem d'Alcantara asá maão, e que aviades en Ayamonte, e en outros Lugares dos Reinos de Leon e de Galiza.

E outro si por que me vós partades das demandas que me faziades sobre razon dos termos, que som antre meu Senorio, e vosso por esso me vos parto do ditos Castellos, e Villas, e Lugares de Sabugal, e de Alfayates, e de Castel Rodrigo, e de Villa Maior, e de Castel Boom, e de Almeida, e de Castel Melhor e de Monforte, e dos outors Lugares de Riba Coa que vós agora teendes à vossa maãao, com todas seus Termos, e Direitos, e perteenças, e partome de toda demanda, que eu hei, ou poderia aver contra vós, ou contra vossos successores per razom destes Lugares sobreditos de Riba Coa, e de cada hum delles. E outo si me parto de todo o Direito, ou jurisdiçom, ou, Senorio Real tambem en possissom come em propriedade, come en outra maneira qualquer, que eu hi avia, e toloo de mim todo, e dos meus successores, e do Senorio dos Reinos de Castella, e de Leom, e ponoo en vós, e em vossos Successores, e no Senorio do reino de Portugal pera sempre.

E mando, e outorgo, que se per ventura alguus Privilegios, ou Cartas, ou Estrumentos parecerem, que fossem feitos antre os Reys de Castella, ou de Leom, e os Reys de Portugal sobre estes Lugares sobreditos, d'aveenças, ou de posturas, ou demarcamentos, ou em outra maneira qualquer sobre estes Lugares, que sejão contra vós, ou contra vossos Successores, e me voss o dano,ou em dano do Senorio do Reino de Portugal, que daqui em diante nom valham, nem tenham, nem ajam fermidoim, nem me possa ajudar dellas, eu, nem meus Successores, e revogoos todos para sempre.

E eu El Rey Dom Diniz de suso dito por Olivença, e por São Felizes dos Galegos. que vós amim dades, e por Ougela que metedes a meu Senorio, segundo sobre dito hé, parmotivos dos Castellos, e das Villas d'Arouche, e da Aracena, e de todos seus Termos, e de todos seus Direitos, e de todas sas pertenças, e de toda a demanda, que eu hei, ou poderia aver contra vós, ou contra vossos Successores per razom destes Lugares sobreditos, e de cada hum delles, ou dos fruitos delles, que El Rey Dom Affonso vosso Avoo, e El Rey Dom Sancho vosso Padre, e vós ouvetses, e recebestes destes Lugares e dou a vós, e a vossos Successores todo o direito, e jurisdiçom, e Senorio real que eu hei, e de direito devia aaver em esses Castellos, e Villas d'Arouche e da Aracena por quealquer maneira, que o eu hi ouvesse, e tolhoo de mim, e de meus Successores, e no Senorio do Reino de Castella, e de Leom pera sempre.

Outro si eu Rei Dom Diniz de suso dito, por que mi vós vos quitades dos Castellos, e de Villas do Sabugal, e de Alfayates, e de Castel Rodrigo, e de Villar Mayor, e de Castel Boom, e de Almeida, e de Castel Melhor, e de Monforte; e dos Lugares de Riba Coa, com seus termo; que eu agora teno á minha maão, assi como de susso dito he, quimotivos, e partomivos de todo o direito, que eu hei en Vallença, e em Ferreira, e no Esparregal, e em Ayamonte; Outro si mi vosparto de outros Lugares de todolos vossos Reinos em qual maneira quer; Outro si mi vos parto de todolas demandas, que eu havia contra vós per razom dos Termos, que som antre o meu Senorio, e o vosso, sobre que era contenda.

E eu El Rey Dom Fernando de suso dito por mim, e por todos meus Successores com conselo, e com outorgamento, e per autoridade da Rainha Dona Maria, minha Madre, e do Infante Dom Anrique meu Tio, e meu Yutor, e Guarda de Avangelos, sobreolhos quaaes pusy minhas maãos, e faço menagem a vós Rey Dom Diniz ateer, e cumprir, e a guardar todas estas couzas de suso ditas, e cada huma dellas pera sempre, e de nunca vir contra ellas per mim, nem per outrem deffeito, nem de conselo, e se o assi nom fezer, que fique por prejuro, e por traidor come quem mata Senhor, e traae Castello.

E nós Rainha Dona Maria, e o Infante Dom Anrique se suso ditos, outorgamos tosa estas couzas, e cada huma dellas, e damos poder, e autoridade a El Rey Dom Fernando pera fazellas, e prometemos em boa fé por nós, e polo dito Rey Dom Fernando, e juramos sobreolhos Saantos Avengelos, sobreolhos quaaes pozemos nossas maãos, e fazemos menagem a vós Rey Dom Diniz, que El Rei Dom Fernando, e nós tinhamos, e complamos, e guardemos, e façamos teer, e cumprir, e guardar todalas couzas sobreditas, e cada huma dellas pera sempre, e de nunca virmos contra ellas per nós, nem per outro defeito, nem de direito, nem de conselo, e se o assi nom fazessemos, que fiquemos por prejuros, e por traedores assi como mata Senhor, ou traae Castello.

E eu Rey Dom Dinis por mim, e pola Rainha Dona Izabel minha Mulher, e polo Infante Dom Affonso meu Filho, primeiro, e herdeiro, e por todos meus successores, prometo a boa fé, e jura sobreolhos Santos Avangelos, sobreolhos,quaaes pono minhas maãos, e fasso menagem a Vós Rey Dom Fernando por v´s, e por vossos successores, e a vós Rainha Dona Maria, e a vós Infante Dom Anrique de teer, e aguardar, e cumprir todas estas couzas de suso ditas, e cada huma dellas pera sempre, e de nunca vir contra ellas per mim, nem per outrem defeito, nem de dereito, nem de conselo, e se o assi nom fezer, que fique por prejuro, e por traedor come quem mata Senhor, ou traae Castello.

E por todas estas couzas sejão firmes, e mais certas, e nom possão vir em duvida, fazemos ender fezer duas Cartas em hum teor, tal ahuma come a outra, seelladas com nossos sellos do Chumbo d nós ambos los Reyes e dos seellos das Raynhas, e do Infante Dom Anrique em testemonio de verdade. Das quuaes Cartas cada huum de nós Reys devemos ateer senhas. Feita em Alcanizes sexta feira doze dias do mes de Setembro. Era de mil trezentos trinta e cinco annos.

publicado por C às 16:36

04
Fev 07
Castelo Bom é um Jardim e não há no mundo uma história assim.
publicado por C às 20:37

14
Jan 07
LIVRO DAS FORTALEZAS

Livro das Fortalezas de DUARTE D'ARMAS:

Além da sua incomparável beleza este excelente LIVRO  constitui um repositório importantíssimo de dados históricos, nomeadamente os desenhos de todas as fortalezas de Portugal e respectivas plantas. Vale a pena...

publicado por C às 21:03

 

O CAMPISMO é uma das atrações turisticas da zona e é muito grato verificar que os nossos amigos da Alemanha investiram no nosso País com força e dedicação. Obrigado e continua, porque o convívio e o bem estar é de salutar

Tel: 271513960

O rio Côa é um rio português que nasce nos Fóios (Sabugal), mais concretamente na Serra das Mesas, próxima da Serra da Malcata. Percorre cerca de 130 km até desaguar na margem esquerda do rio Douro, perto de Vila Nova de Foz Côa. É dos poucos rios portugueses que efectua um percurso na direcção Sul-Norte.

O rio Côa percorre a zona raiana do distrito da Guarda, pouco povoada. Tem um clima marcadamente mediterrânico.

É um dos principais afluentes do Douro mas nasce muito a Sul, junto à Reserva Natural da Malcata perto da Aldeia dos Foios. Hoje, e dentro do sítio da rede natura 2000, com o mesmo nome da Malcata o vale do rio Côa é conhecido intencionalmente devido às gravuras rupestres.

Depois de descer desde os contornos da Malcata, atinge a vila acastelada do Sabugal onde se localiza uma importante barragem. A norte da vila, já no sentido de Almeida, não deixe de observar a Ponte de Sequeiros, um dos poucos exemplares portugueses de pontes fortificadas.

 

Tem origem românica e aí teria existido uma portagem fronteiriça com Castela no séc.XIII.

Já no concelho de Almeida, o rio Côa torna-se mais volumoso. Aproveite para conhecer as praças históricas Castelo Mendo e Castelo Bom bem como a espectacular vila/ fortaleza de Almeida.

Em direcção à zona das gravuras rupestres, visite a nobre cidade (desde 1770) histórica de Pinhel e o seu Castelo. É a cidade portuguesa com maior número de solares por metro quadrado. Aqui o Côa inicia um percurso selvagem e espectacular.


publicado por C às 16:54

ANTECEDENTES DO HINO NACIONAL

Se a Bandeira Nacional é um símbolo visível, o Hino Nacional constitui a exteriorização musical que proclama e simboliza a nação.
Só a partir do século XIX os povos da Europa criaram o uso de cantar os hinos, quando um movimento de opinião levou a que cada estado estabelecesse uma composição, com letra e música que fosse representativa e oficial. Até então os povos e os exércitos conheciam apenas os cantos e os toques guerreiros próprios de cada corpo e as canções relativas aos acontecimentos dignos de memória.
Durante a monarquia, o ideário da Nação Portuguesa estava consubstanciado no poder do Rei. Não havia a noção de um hino nacional, e por isso as peças musicais com carácter público ou oficial identificavam-se com o monarca reinante.
Neste contexto, ainda em 1826, em Portugal era considerado como hino oficial o "Hymno Patriótico", da autoria de Marcos Portugal. Este hino inspirava-se
na parte final da Cantata "La Speranza o sia l`Augurio Felice", composta e oferecida pelo autor ao Príncipe Regente D.João quando este estava retirado com a Corte no Brasil, e que foi representada no Teatro de S. Carlos em Lisboa, a 13 de Maio de 1809 para celebrar o seu aniversário natalício.
A poesia do "Hynmno Patriótico" teve diferentes versões face às circunstâncias e aos acontecimentos da época, tornando-se naturalmente generalizada e nacional pelo agrado da sua expressão marcial, que estimulava os ânimos aos portugueses, convidando-os à continuação de acções heróicas.
Com o regresso do Rei ao País, em 1821, o mesmo autor dedicou-lhe um poema que, sendo cantado com a musica do hino, rapidamente se divulgou e passou a ser entoado solenemente.
Entretanto, na sequência da revolução de 1820, foi aprovada em 22 de Setembro de 1822 a primeira Constituição Liberal Portuguesa, que foi jurada por D. João VI, D. Pedro, então Príncipe Regente no Brasil, compôs o "Hymno Imperial e Constitucional", dedicado à Constituição.
Após a morte do Rei, e com a subida de D. Pedro IV ao trono, este outorgou aos portugueses uma carta Constitucional. O hino de sua autoria generalizou-se com a denominação oficial como "Hymno nacional", e por isso obrigatório em todas as solenidades públicas, a partir de Maio de 1834.
Com a música do "Hymno da Carta" compuseram-se variadas obras de natureza popular (modas) ou dedicadas a acontecimentos e personalidades de relevo, identificando-se em pleno com a vida política e social dos últimos setenta anos
da monarquia em Portugal.
Nos finais do século XIX, "A Portuguesa", marcha vibrante e arrebatadora, de forte expressão patriótica, pela afirmação de independência que representa e pelo entusiasmo que desperta, torna-se, naturalmente e por mérito próprio, um consagrado símbolo nacional, na sua versão completa:

                    I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!

                     II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

                   III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre aterra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

 

Porém, o Hino, que fora, concebido para unir os portugueses em redor de um sentimento comum, pelo facto de ter sido cantado pelos revolucionários de 31 de Janeiro de 1891, foi desconsiderado pelos monárquicos e proibida a sua execução em actos oficiais e solenes. Quando da implantação da República em 1910 "A Portuguesa" aflora espontaneamente de novo à voz popular, tendo sido tocada e cantada nas ruas de Lisboa.
A mesma Assembleia Constituinte de 19 de Junho de 1911, que aprovou a Bandeira Nacional, proclamou "A Portuguesa" como Hino Nacional.
Era assim oficializada a composição de Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça
que, numa feliz e extraordinária aliança de música e poesia, respectivamente, conseguira interpretar em 1890, com elevado sucesso, o sentimento patriótico de revolta contra o ultimato que a Inglaterra, em termos arrogantes e humilhantes, impusera a Portugal.
Em 1956, constatando-se a existência de algumas variantes do Hino, não só na linha melódica, como até nas instrumentações, especialmente para banda, o Governo nomeou uma comissão encarregada de estudar a versão oficial de "A Portuguesa", a qual elaborou uma proposta que, aprovada em Conselho de Ministros em 16 de Julho de 1957, é a que actualmente está em vigor.

BANDEIRANACIONAL
Após a instauração do regime republicano, um decreto da Assembleia Nacional constituinte datado de 19 de Junho de 1911, Publicado no Diário do Governo nº141 do mesmo ano, aprovou a Bandeira Nacional que substi-tuiu a Bandeira da Monarquia Constitucional. Este decreto teve a sua regulamentação adequada, publicada no diário do Governo n.º 150 (decreto de 30 de Junho).
A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das cores, tem o escudo das armas nacionais, orlado de branco e assentado sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro.
O comprimento da bandeira é de vez e meia a altura da tralha. A divisória entre as duas cores fundamentais deve ser feita de modo que fiquem dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde e os três quintos restantes pelo vermelho. O emblema central ocupa metade da altura da tralha, ficando equidistante das orlas superior e inferior.
A escolha das cores e da composição da Bandeira não foi pacífica, tendo dado origem a acesas polémicas e à apresentação de várias propostas. Prevaleceu a explicação constante do Relatório apresentado pela Comissão então nomeada pelo governo a qual, num parecer nem sempre heraldicamente correcto, tentou expressar de uma forma eminentemente patriótica este Símbolo Nacional.
Assim, no entender da Comissão, o branco representa “uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz “ e sob ela, “salpicada pelas quinas (...) se ferem as primeiras rijas batalhas pela lusa nacionalidade (...). Depois é a mesma cor branca que, avivada de entusiasmo e de fé pela cruz vermelha de Cristo, assinala o ciclo épico das nossas descobertas marítimas”.
O vermelho, defendeu a Comissão, “nela deve figurar como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória”.
Em relação ao verde, cor da esperança, dificilmente a Comissão conseguiu justificar a sua inclusão na Bandeira. Na verdade, trata-se de uma cor que não tinha tradição histórica, tendo sido rebuscada uma explicação para ela na preparação e consagração da Revolta de 31 de Janeiro de 1891, a partir da qual o verde terá surgido no “momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada”.
Uma vez definidas as cores, a Comissão preocupou-se em determinar quais os emblemas mais representativos da Nação para figurarem na Bandeira.
Relativamente à esfera armilar, que já fora adoptada como emblema pessoal de D. Manuel I, estando desde então sempre presente na emblemática nacional, ela consagra “a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva”.
Por sua vez, sobre a esfera armilar entendeu a Comissão fazer assentar o escudo branco com as quinas, perpetuando e consagrando assim “o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade”.
Por sua vez, sobre a esfera armilar entendeu a Comissão fazer assentar o escudo branco com as quinas, perpetuando e consagrando assim “o milagre humano da positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade”.
Finalmente, achou a Comissão “dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga faixa carmesim, com sete castelos”, considerando estes um dos símbolos “mais enérgicos da integridade e independência nacional”.
EVOLUÇÃO DA BANDEIRA NACIONAL
 
D. Afonso Henriques (1143-1185)
Segundo a tradição, durante as primeiras lutas pela Independência de Portugal, D. Afonso Henriques teria usado um escudo branco com uma cruz azul, a exemplo de seu pai, o Conde D. Henrique, cujas armas eram simbolizadas pela cruz em campo de prata.
   
 

D. Sancho I (1185-1211),
D. Afonso II (1211-1223), D. Sancho II (1223-1248)

Nesta época, as armas reais eram representadas por cinco escudetes de azul em campo de prata, dispostos em cruz, os dos flancos deitados e apontados ao centro. Cada escudete era semeado com um número elevado e indeterminado de besantes de prata. Sobre a origem e simbolismo destes escudetes existem muitas teorias. Segundo as duas mais conhecidas, os escudetes aludem às cinco feridas recebidas por D. Afonso Henriques na Batalha de Ourique ou às cinco chagas de Cristo.

   
 

D. Afonso III (1248-1279),
D. Dinis (1279-1325), D. Afonso IV (1325-1357),
D. Pedro (1357-1367), D. Fernando (1367-1383)

Com D. Afonso III as armas do reino receberam uma bordadura de vermelho, semeada com um número indeterminado de castelos de ouro, escolhida em lembrança do avô, D. Afonso III de Castela. A tendência de fixação de números, frequente em heráldica, levou a uma estabilização do número de besantes dos escudetes em cinco, dispostos dois, um, dois.

   
 
D. João I (1385-1432), D. Duarte (1433-1438), D. Afonso V (1438-1481)
As armas reais, durante este período, eram de prata, com cinco escudetes de azul dispostos em cruz, os dos flancos deitados e apontados ao do centro. O semeado de besantes no escudo fixou-se definitivamente no número de cinco, dispostos em aspa. É desta época que se conhecem as primeiras referências designando os escudetes por «quinas». Tinha também uma bordadura de vermelho semeado de castelos de ouro
e sobre ela as pontas da cruz verde floretada da Ordem de Avis.
   
 

D. João II (1481-1495)
D. João II mandou que fossem retirados das armas reais os remares de flor-de-lis e que se colocassem verticalmente as quinas laterais no escudo. A bordadura de vermelho manteve-se semeada de castelos de ouro, embora a tendência do seu número fosse de sete ou oito nas bandeiras usadas na época.

   
 

D. Manuel I (1495-1521), D. João III (1521-1557)
No reinado de D. Manuel I, as armas reais foram fixadas em fundo branco. Tinham ao centro o escudo português com uma bordadura de vermelho carregada de sete ou oito castelos de ouro e sobre ele foi colocada uma coroa real aberta. A forma do escudo diferiu nos dois reinados. Enquanto D. Manuel predominava o escudo rectangular com a parte inferior terminado em cunha, no reinado de D. João III acentuou - se a forma rectangular com o fundo redondo - o chamado escudo português.
O mesmo aconteceu quanto ás quinas que acompanharam aquelas formas.

   
 

D. Sebastião (1557-1578), D. Henrique (1578-1580),
Governo dos Filipes (1580-1640), Reis de Espanha

No final do reinado de D. Sebastião a coroa que figurava sobre o escudo foi substituída por uma coroa real fechada. Nas bandeiras desta época figuravam inicialmente coroas fechadas dispondo de um ou de três arcos à vista. Mais tarde passaram a ter os cinco arcos à vista, os quais se conservavam até ao fim da monarquia. O aparecimento da coroa fechada relacionava-se com o reforço de autoridade do poder real. Durante o Governo dos reis espanhóis, o escudo português não sofreu alteração, uma vez que as armas dos dois países se mantiveram sempre separadas.

   
 
D. João IV (1640-1656),
D. Afonso VI (1656-1683), D. Pedro II (1683-1706),
D. João V (1706-1750), D. José (1750-1777), D. Maria I (1777-1816),
D. Pedro IV (1826), Regências (1826-1828), D. Miguel I (1828-1834)

Na aclamação de D. João IV, a bandeira branca com o escudo nacional, encimado pela coroa real fechada com os cinco arcos em vista, constituiu o símbolo da Restauração. Embora neste período a bandeira não tenha sofrido alterações significativas, no reinado de D. João V, o escudo foi modificado com uma fantasia ao gosto da época, terminando o bordo inferior em bico de arco contracurvado e a coroa passou a conter um barrete vermelho ou púrpura.
   
 

D. João VI (1816-1826)
No reinado de D. João VI foi colocada por detrás do escudo uma esfera
armilar de ouro em campo azul, simbolizando o reino do Brasil, e sobre
ela figurava uma coroa real fechada. Após a morte do Rei a esfera armilar foi retirada das armas, remetendo-se o símbolo real à expressão anterior,
em que algumas das versões usaram um escudo elíptico, com o eixo
maior na vertical.

   
 
D. Maria II (1834-1853), Regência (1853-1855), D. Pedro V (1855-1861),
D. Luís (1861-1889), D. Carlos (1889-1908), D. Manuel II (1908-1910)

O decreto da Regência em nome de D. Maria II, de 18 de Outubro de 1830, determinou que a Bandeira Nacional passasse a ser bipartida verticalmente em branco e azul, ficando o azul junto da haste e as Armas Reais colocadas no centro, assentando metade sobre cada uma das cores.
   
 

Após a instauração do regime republicano, um decreto da Assembleia Nacional constituinte datado de 19 de Junho de 1911, Publicado no Diário do Governo nº141, do mesmo ano, aprovou a Bandeira Nacional que substituiu a Bandeira da Monarquia Constitucional. Este decreto teve a sua regulamentação adequada, publicada no diário do Governo n.º 150 (decreto de 30 de Junho).
A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto à união das cores, tem o escudo das armas nacionais, orlado de branco e assentado sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro.
O comprimento da bandeira é de vez e meia a altura da tralha. A divisória entre as duas cores fundamentais deve ser feita de modo que fiquem dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde e os três quintos restantes pelo vermelho. O emblema central ocupa metade da altura da tralha, ficando equidistante das orlas superior e inferior.

publicado por C às 16:44

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